Excitação, Atração e Amor são diferentes.

“Excitação não é amor”

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Uma das publicações que me motivaram a escrever o texto sobre os tratamentos romântico” e “realista apagando outras formas de amor incluia uma afirmação que descrevia a excitação como uma coisa importante pro amor. Acho que não é considerado expor ninguém por ser uma frase comum, principalmente em falar do suposto amor de um homem por su parceire: amor é sentir tesão por X anos pela mesma pessoa.

Vou começar por um ponto importante que realmente me deixa preocupado com esse tipo de erro básico: excitação não é nada demais, não é honestidade, não é interesse, amor, nada. Excitação não é nada mais do que a resposta do corpo a um estímulo, não é racional, intencional, não está aí pra revelar a intenção de alguém por sexo; não é uma “prova de que alguém gosta da pessoa,” não é um meio de comunicação pra você se sentir ume decifradore e falar “ah, ‘cê gosta de tal pessoa;” não é um sinal de que o “não” significa “sim” na verdade, não é consentimento. Alguém não ser capaz de entender isso e fazer essas coisas realmente me preocupa. Mostra que a nossa educação sexual e a nossa forma de falar sobre isso na sociedade faz com que as pessoas ponham o mesmo ou até mais valor em uma reação do corpo do que em uma afirmação lógica da pessoa sobre seus sentimentos, suas intenções. Quantas vezes será que alguém passa por situações em que abre mão de sua liberdade de negar que façam algo com seu corpo, tentou se provar “gente o suficiente” pra “fazer o que o corpo pede” – não é como se você estivesse com sede e precisasse d’água -, entrou em um relacionamento sem a menor vontade ou engajamento emocional só porque alguém lhe contou que “sentir tesão é amor de verdade?”

Expressões-chave: não é honestidade, não é amor

Meu segundo ponto aqui é que tudo bem se você não sente tesão pela pessoa que você ama. Quando se deixa acreditarem que a excitação é tão importante pro amor, uma pessoa pode sentir-se inferior, menos capaz de amar ou ser amada por não sentir ou por alguém não sentir tesão por ela. Você pode amar alguém de várias formas, e seu jeito de amar é válido. Quando você se preocupa com o bem-estar da pessoa, com quanto tempo vai poder passar perto dela, com como você pode fazê-la feliz, com qualquer parte da sua vida em que você sinta que a ama, você ama de verdade, e não só pelo que uma galera desinformada fala por aí sobre tesão. E mais, é mais questionável o suposto amor que alguém sente por você se quando você lhe mostra que a ama, ela pede uma prova que só possa ser de uma forma, sexual, ou que só seja visível se você tiver tesão; afinal essa reação que pode acontecer a qualquer estímulo aleatório é mais verdadeira que sua palavra e uma comunicação lógica pra ela.

Expressões-chave: não sentir tesão na pessoa

Mais um desentendimento em como se lida com relacionamentos que me fez considerar este texto importante foi o de que alguém pode simplesmente não querer se envolver nisso, não querer que alguém sinta tesão por ela. Em vez ou além de não setir excitação por outra pessoa, alguém poderia ainda não gostar que se fale tão abertamente ou que se dê valor e se fale como se fosse desejável sentirem tesão por você. Uma pessoa com repulsa por sexo, que já está cheia de ter seu corpo sexualizado, com experiências passadas ruins pode, sim, não querer que alguém que a ama chegue e lhe fale como se fosse a coisa mais esperada ou a coisa mais desejada que sente tesão por ela. Não! Que tal se esforçar e mostrar seu amor com uma coisa que você sabe mesmo que vai alegrar a pessoa?

Expressões-chave: não querer que sintam excitação por você

Por último, só pra publicar aqui no blog, gente, excitação não é nada demais pra ter tanto valor como linguagem. É uma reação do corpo a um estímulo, que não tem lógica e nem mesmo pede pra satisfazer uma necessidade – ué, eu me excito, e necessidade que eu tenho é tomar bastante água, e não de uma intimidade sexual com alguém. Se alguém põe as mãos nas calças de alguém e a pessoa fica excitada, ela não necessariamente a ama, tem que amá-la daqui pra frente, tem que fazer sexo com ela e tampouco consentir, sem contar que isso é assédio, não é engraçado e nem aceitável sem consentimento claro.

Expressões-chave: não quer dizer nada

“Excitação não é atração”

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No texto anterior, eu elaborei como a excitação não tem nada a ver com o amor que a pessoa sente ou não sente, que não é uma expressão de amor ou de qualquer forma causada por ele. Outro ponto que é bastante mal entendido é o de que excitação também não é atração. Uma curta explicação que já li sobre isso era assim: “excitação” significa “agora,” “atração” significa “aquela pessoa.”

Uma pergunta que aces também ouvem muito é “você se excita?” – será que isso é tão normal assim pra alos ou êlus já tem uma resposta pronta de “gente normal?” Algumas motivações por trás dessa pergunta podem ser: achar que se excitar é essencial pra experiência humana; achar que se excitar é essencial quando se sente atração. São duas ideias erradas, que acontecem pela desinformação e falta de ambientes e situações em que se discutem as diferentes experiências das (as)sexualidades sem julgamentos.
Pensar assim atrapalha alos que vão se sentir obrigades a demonstrarem atração ou provarem seus sentimentos em momentos em que não estão excitades para que sua orientação continua aceita pelas outras pessoas. Mais do que isso, isso leva aces a não se aceitarem e a não serem aceites pelas pessoas próximas por sentirem excitação.
Aces, alos e qualquer pessoa podem ou não se excitar em diversas situações, e isso ainda não quer dizer nada sobre seus sentimentos.

Como eu já elaborei no texto anterior, excitação é só uma resposta do corpo, não é lógica nem ligada aos nossos sentimentos subjetivos de atração ou de amor, e não é uma linguagem pra que alguém banque ume decifradore e diga “você não é ace e não consegue esconder que sente atração” ou “você não sente atração por tal pessoa.”

Expressões-chave: invalidar aces, atração sem excitação
“Atração não é amor”

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Mais uma questão importante no que tenho dito de coisas básicas e que não são discutidas de forma clara: atração não é amor.
Não me incomodo tanto com a forma com que as pessoas sobrepõem esses conceitos em suas vidas, mas na vida das outras pessoas, sim. Eu já fiz uma postagem longa sobre vários tipos de atração, na qual eu tinha começado com uma definição de atração que mais incluiria a diversidade desses sentimentos – há poucas definições de atração mesmo em grupos aces que discutem a variedade de atrações, mas eu escrevi como pude para incluir a maior diversidade que pudesse na mesma definição. Atração A é a vontade de ter contato A com uma pessoa específica. A atração é a vontade de ter contato, não necessariamente um relacionamento ou amor, seja sexual, romântico (e talvez com suas influências culturais que eu já elaborei anteriormente), platônico, etc. A vontade de ter contato sexual, de colecionar fotos de uma pessoa em vários visuais diferentes (atração estética, por exemplo) é um sentimento válido, é uma atração, mas não necessariamente amor.
Nas postagens anteriores eu também diferenciei amor de atração. Os dois são subjetivos, mas não são iguais. Ume ace aro pode muito bem se envolver e expressar seu amor por alguém, pode começar um relacionamento romântico ou não, sexual ou não, platônico ou não com a pessoa se sentir-se bem assim. O amor de alguém que não está sentindo atração não é menos verdadeiro ou menos importante.
O investimento emocional no seu relacionamento com a pessoa, sua preocupação com seu bem-estar e em ser parte da vida dela, sua forma de expressar que a ama, seja com beijos, comidas, abraços, presentes, ou detalhes bem pequenos são amor. Você pode ser ace, aro, pode sentir ou não atração sexual, romântica, platônica ou de qualquer tipo pela pessoa e ainda amá-la, e ainda se relacionar com ela, se importar, se esforçar por esse amor, e isso é totalmente válido e real, seja esse relacionamento de que tipo for – aces e aros têm liberdade de namorar ou se relacionar como desejarem no momento assim como qualquer alo, seja de forma sexual, romântica, platônica, ou não.

Atração e amor (mais pontos importantes)

“Atração não é ação”

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Agora o ponto ao qual eu queria chegar desde que comecei a separar as ideias de atração, amor e excitação. Eu costumava afirmar como “atração não é comportamento,” mas pelas duas palavras terminarem com as mesma últimas quatro letras, fica mais fácil de entender e aprender que “atração não é ação.” Em alguns assuntos daqui da página, eu expliquei que pessoas acham que não pode acontecer de sentirem atração e “não poderem fazer nada sobre isso,” e se acontecer elas podem justificar algum comportamento abusivo – mimimi da “zona-da-amizade” ou desrespeito com o consentimento da pessoa.
A atração é a vontade de ter contato com a pessoa. Neste ponto eu vou me referir mais a alorromântiques e alossexuais, já que a ideia de que todo o mundo deveria participar, querer participar e precisar participar em relacionamentos sexuais e românticos (sexonormatividade e amatonormatividade) é boa parte de se convencer alguém que sua atração justifica um comportamento que invade o espaço de outra pessoa.

Eu já li um texto em um blog ace com o título “sexo não é uma vitamina.” O texto elabora que não é como se o sexo fosse requisita pra você conseguir fazer suas atividades diárias normalmente. O mesmo vale caso alguém ainda esteja pensando que um envolvimento romântico é algo em que todo o mundo precisaria participar. Satisfazer-se em sua atração não é essencial.
Os textos de antes trataram de atração e de amor de formas diferentes, porque são coisas diferentes. Sentir atração não significa que você ama uma pessoa e que isso lhe daria uma justificativa pra abusar: porque eu te amo. O amor e a atração são coisas subjetivas e a decisão de como expressar isso é sua, seja agressiva ou amigável.

A atração também não é um sentimento “irresistível,” que toma conta do seu raciocínio. Alguém já comentou que é engraçado (leia-se machista) como um homem tem todo o direito de ser um “dominante” em abusar de uma mulher porque seus impulsos são “irresistíveis,” mas que a mulher tem que ser reservada – não que alguma vez essa sociedade realmente ligue pro que a mulher sente antes de garantir o privilégio do homem, não é mesmo? Não importa o seu gênero, “dá pra agüentar” sentir qualquer atração, e não precisa ficar se provando alo na frente de algume ace sendo abusive.

Suas ações sobre alguém, sejam abusivas ou não, amigáveis ou não, são sua decisão e sua responsabilidade. Quando você vai sair do estado normal de não estar fazendo nada para mexer com os sentimentos de alguém, isso passa por uma decisão lógica em sua cabeça. Quando uma coisa gentil como perguntar e dar importância ao consentimento de alguém lhe parece necessária para o convívio, ou quando de repente não importa mais porque só você tá com vontade e o corpo da pessoa não pertence 100% a ela quando ela discorda disso, isso, sim, diz muito mais sobre como você pensa, haja ou não atração ou amor. Por isso que você não perde a culpa pelo seu comportamento abusivo.

Author: soranotamashii

Asexual quoiromantic non-monogamist aspie nudist activist. Also a retro-gamer, brony, furry, otaku and polyglot (portuguese, spanish, english, japanese, romanian and old tupi).

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